Entorse de Tornozelo: Tipos, Sintomas e Tratamento
A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas mais comuns, tanto no esporte quanto no dia a dia. Ocorre quando os ligamentos que estabilizam o tornozelo são estirados ou rompidos, geralmente por um movimento de torção forçada do pé.
Nem toda entorse é simples. Quando a dor persiste por semanas, a sensação de falseio continua ou o tornozelo incha repetidamente, pode haver lesão ligamentar residual, instabilidade mecânica ou outras estruturas envolvidas que não foram identificadas.
A avaliação adequada nas primeiras semanas é essencial para evitar cronificação, instabilidade e entorses de repetição — um ciclo que pode comprometer a função do tornozelo a longo prazo.
Tipos de entorse
A entorse mais comum é a do complexo ligamentar lateral (parte de fora do tornozelo), que ocorre quando o pé "vira para dentro". Dependendo da gravidade, pode ser classificada em:
- Grau I (leve): estiramento ligamentar sem ruptura significativa. Dor leve, pouco inchaço, sem instabilidade
- Grau II (moderada): ruptura parcial de um ou mais ligamentos. Dor moderada, inchaço, hematoma e dificuldade para apoiar o pé
- Grau III (grave): ruptura completa ligamentar. Dor intensa, instabilidade articular, inchaço importante e incapacidade funcional
Sintomas que merecem atenção
- Dor que não melhora após 2 a 3 semanas
- Sensação de que o tornozelo "falha" ou "dá" durante atividades
- Inchaço recorrente sem novo trauma
- Dificuldade para caminhar em terrenos irregulares
- Insegurança ou medo de torcer novamente
- Entorses repetidas no mesmo tornozelo
- Dor na parte interna do tornozelo (pode indicar lesões associadas)
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico inicial é clínico, baseado no mecanismo da lesão, na localização da dor e nos testes de estabilidade do tornozelo. O raio-X é solicitado quando há suspeita de fratura associada.
Nos casos em que a dor persiste ou há sinais de instabilidade, a ressonância magnética permite avaliar a integridade dos ligamentos, tendões peroneais, cartilagem e outras estruturas que podem ter sido lesionadas no momento do trauma.
A ultrassonografia também pode ser útil para avaliação dinâmica dos ligamentos e tendões em casos selecionados.
Opções de tratamento
O tratamento depende da gravidade da lesão, do tempo de evolução e das demandas funcionais do paciente. A maioria das entorses pode ser tratada de forma conservadora, mas o tratamento precisa ser ativo e progressivo — não apenas repouso e gelo.
- Fase aguda: controle de dor e inchaço, proteção articular e mobilização precoce conforme tolerância
- Reabilitação funcional: exercícios de propriocepção, equilíbrio, fortalecimento e controle neuromuscular — essenciais para prevenir recorrência
- Retorno progressivo: critérios claros para retorno ao esporte ou atividade, com testes funcionais
- Imobilização temporária: em casos selecionados de lesão grave, com transição planejada para reabilitação
- Tratamento cirúrgico: reservado para instabilidade crônica que não responde ao tratamento conservador adequado, ou em lesões associadas (osteocondrais, tendões peroneais)
Quando procurar um especialista?
Se você torceu o tornozelo e a dor não está melhorando, se sente insegurança ao caminhar ou se já teve mais de uma entorse no mesmo lado, é importante fazer uma avaliação detalhada.
A instabilidade crônica do tornozelo é uma consequência frequente de entorses mal tratadas e pode levar a artrose precoce da articulação. Quanto antes o problema é identificado e tratado corretamente, melhor o resultado funcional.